João Gabriel
Serrinha e Gestão Territorial

O Sisal também quer falar sobre ferrovias

13:46Por João Gabriel

Durante décadas, aprendemos a olhar para as antigas ferrovias da Bahia como coisa do passado. Trilhos abandonados, estações fechadas e cidades que cresceram de costas para um patrimônio que um dia foi fundamental para integrar pessoas, mercadorias e territórios. Agora, quando o Governo Federal e o Governo da Bahia voltam a discutir o transporte ferroviário de passageiros e surge a perspectiva de expansão do VLT de Salvador até Alagoinhas, aproveitando um corredor ferroviário histórico, temos a oportunidade de olhar para esses trilhos não com saudosismo, mas como parte do futuro que queremos construir.

A Bahia precisa voltar a pensar o trem como instrumento de desenvolvimento e integração do interior. Uma ferrovia de passageiros pode aproximar cidades, facilitar o acesso a serviços, educação, saúde, trabalho e turismo, além de criar novas possibilidades econômicas para municípios que hoje dependem quase exclusivamente do transporte rodoviário. Se já estamos discutindo chegar a Alagoinhas e existem estudos e debates sobre o aproveitamento da antiga malha ferroviária em direção ao interior, é legítimo perguntar: por que não avançar novamente pelos caminhos da antiga Leste Brasileiro e recolocar outras regiões da Bahia no mapa do transporte ferroviário de passageiros?

É justamente aí que o Território do Sisal precisa se mobilizar. Não podemos esperar que todas as decisões estejam tomadas para depois reivindicar nossa inclusão. Prefeituras, câmaras, consórcios públicos, setor produtivo, movimentos sociais e lideranças políticas precisam construir uma agenda comum e defender estudos que avaliem a chegada do transporte ferroviário de passageiros à nossa região. O trem ajudou a construir parte da história de cidades do nosso território e pode voltar a fazer parte do seu futuro. Se a Bahia está começando a pensar novamente sobre trilhos, o Sisal precisa entrar nessa discussão agora.